Uma cidade é boa para o job quando ela tem cinco coisas ao mesmo tempo: homem com dinheiro disponível, espaço para o seu perfil, cultura de gastar, acesso fácil do cliente até você e um calendário que você conhece antes de chegar. Só isso. PIB alto, lista de ranking e indicação de amiga não entram na conta.
Eu ensino isso para as minhas alunas porque toda semana aparece a mesma pergunta: "Cris, e Goiânia? Cris, e Cuiabá? Cris, e Londrina?" Eu não quero entregar uma lista de cidades para você decorar. Quero que você olhe para qualquer cidade do Brasil e consiga responder sozinha: essa cidade tem dinheiro ou eu estou inventando moda?
Cidade rica não é cidade boa para você. Cidade boa é a que tem dinheiro circulando e espaço para o seu perfil.
Por que a lista de PIB engana
Muita mulher escolhe cidade olhando ranking de PIB e sai com a mala na mão. Aí chega numa cidade com indústria gigantesca, PIB enorme, e descobre que não tem hotel de alto padrão, não tem turismo, não tem vida noturna, não tem homem circulando. Todo mundo se conhece. O dinheiro existe, mas está parado dentro de mansão, e dinheiro parado não ajuda o seu anúncio em nada.
Tem outro erro que eu vejo o tempo todo. A mulher fica num bairro ruim, anuncia num site fraco, cobra um preço que não combina com o público, vai numa época morta e decreta: "essa cidade não presta". Não foi a cidade. Foi a leitura que ela não fez.
Por isso, antes de dizer se uma cidade é boa ou ruim, você precisa aprender a ler o mercado. E chegar lá como quem já trabalhou dez anos naquele lugar, porque estudou antes.
Critério 1: tem homem com dinheiro disponível?
Não é "a cidade produz dinheiro". É "quem tem esse dinheiro e ele gasta?". As perguntas que eu faço:
- Essa cidade tem empresário, executivo, médico, advogado?
- Tem agronegócio, tecnologia, indústria, mercado financeiro?
- Tem funcionário público de alto escalão?
- Tem turismo? Esse turismo é caro ou é barato?
E não procure só milionário. Procure homem com dinheiro disponível para gastar, porque renda alta e consumo são coisas diferentes. Tem homem que ganha muito e vive economizando.
Critério 2: quanta concorrência existe para o seu perfil?
Quantas mulheres estão brigando por esse homem? Aqui tem uma armadilha. Concorrência alta não significa cidade ruim, porque às vezes há 500 mulheres porque há cliente para 500. Você compara três coisas: a quantidade de anúncios, o tamanho do mercado e o preço que essas mulheres estão cobrando.
Depois olha a qualidade da concorrência. Se existem 100 mulheres e 90 vendem exatamente a mesma personagem, sobra um espaço enorme para uma mulher diferente. É aqui que o seu posicionamento entra.
Se 90 de 100 vendem a mesma coisa, o mercado não está cheio. Está vazio para quem chega diferente.
Critério 3: o homem dessa cidade gasta?
Isso é cultura de consumo. Tem restaurante caro? Tem shopping de luxo? Tem hotel cinco estrelas? Tem concessionária de carro de luxo? Tem evento corporativo, que é um monte de homem junto? Tem vida noturna?
Uma cidade pode ter renda alta e cultura de não gastar. Você precisa da disposição para gastar, não do extrato bancário.
Critério 4: é fácil para o cliente chegar até você?
Logística. Tem aeroporto, Uber, transporte, hotelaria, bairro central com movimento? Você pode encontrar o apartamento mais lindo do mundo, mas se ele fica a 50 minutos de tudo, numa rua morta, sem estacionamento, ninguém vai até lá. Parabéns pelo seu apartamento maravilhoso e vazio.
E você precisa estar perto dos homens que quer atender. Em São Paulo, o homem dos Jardins não vai procurar uma mulher na Zona Leste. Quem quer atender o empresário fica onde o empresário está. Luxo e volume pedem localizações diferentes.
Critério 5: quando o dinheiro entra na cidade?
A cidade não funciona igual nos 12 meses. Tem férias, verão, inverno, congresso, feira corporativa, evento do agro, Fórmula 1, festival, feriado. Cada um desses movimentos muda a semana inteira.
A mulher que chega uma semana depois do maior evento do ano pega a cidade esvaziando e diz que a amiga mentiu. O dinheiro foi embora antes de ela chegar, porque ela não olhou o calendário.
A leitura de 1 hora: como fazer
Com os cinco critérios na cabeça, você lê qualquer cidade em uma hora. Aquela hora que você passa rolando o Instagram.
Primeiros 15 minutos: os sites. Digite no Google "acompanhantes de luxo em [cidade]". Os primeiros sites que aparecem são onde você vai anunciar. Em cada um, anote quantas mulheres aparecem, o preço mais baixo, o médio e o mais alto, que tipo de mulher está lá, a qualidade das fotos e quem está no topo. Não olhe só o preço. Olhe o que elas estão vendendo. A que cobra mais: como são as fotos, o texto, a localização, a personagem? Tem comentários de cliente?
Dos 15 aos 30: o padrão. Está todo mundo igual? Se 80% está explícita, talvez a modelo internacional elegante pare o olho do cliente em você. Se está todo mundo superproduzida, talvez a natural funcione. A maioria entra no site, vê que é tudo alta, magra, produzida, e conclui: "essa cidade não faz o meu perfil". É exatamente aí que você deve ir. No meio das maçãs vermelhas, o cliente para o olho na maçã verde.
Dos 30 aos 45: o mapa. Abra o Google Maps e procure hotel de alto padrão, restaurante bom, shopping de luxo, bairro nobre, centro empresarial, aeroporto. Eu quero saber onde os homens trabalham, onde moram, onde jantam e onde dormem quando viajam. Cada área é um cliente diferente: a corporativa funciona de manhã, no almoço e no happy hour e morre de madrugada; a residencial funciona à noite; onde ele janta está o homem com hábito de consumir; onde ele dorme viajando está a saída de hotel que vale cobrar mais.
Dos 45 aos 60: a conta. Quanto você vai gastar com hospedagem, anúncio, transporte, alimentação e produção? Qual é a sua meta? E a pergunta final não é "essa cidade é boa?". Isso é pergunta de amadora. A pergunta é: essa cidade faz sentido para mim? Se sim, vai. Se não, não vai.
Em uma hora você não virou especialista na cidade. Mas deixou de chegar cega no escuro.
O que você faz amanhã de manhã
Escolha a cidade que está na sua cabeça há meses e faça a leitura de 1 hora hoje. Anote os cinco critérios numa folha: dinheiro, concorrência, consumo, acesso, calendário. Se três deles falharem, não compre a passagem. Se os cinco fecharem, vá e teste a sua demanda, porque nenhuma cidade dá certo no papel. Dá certo quando você chega posicionada.
Nos próximos posts eu vou aplicar essa leitura nas cidades que eu mais estudei: São Paulo, o interior paulista e Brasília.
Fontes
- Aulas sobre o mapa do Brasil ministradas pela Cris Galera às alunas da Money Girls, baseadas em 10 anos de carreira e nos relatos das mentoradas que trabalham nessas cidades.
Leia também
- As 10 regras do job que toda mulher deveria saber antes de começar
- O calendário do dinheiro na Europa: as semanas que pagam e as que não pagam
Quer ver essa leitura aplicada cidade por cidade? Me segue no Instagram: @crisgalera.moneygirls.
E para conhecer o método completo: https://moneygirls.com.br/escolha-seu-destino


